Sobre vampiros e lobos

     Bella, Edward e Jacob. Personagens de um best-seller que começou sem grandes pretensões, mas que conquistou muita gente e atingiu um sucesso inexplicável. Acompanhada por milhares de jovens, a saga Crepúsculo cresceu, rendeu 4 livros e ganhou os cinemas. Mas como tudo que é adorado por muitos, a saga também virou alvo de críticas severas. Comparações com Harry Potter regem a maioria dessas critícas, que, entre outras coisas, acusam a autora, Stephenie Meyer, de influenciar negativamente os pré-adolescentes (a maioria do público leitor de Crepúsculo) e de ter criado uma história vazia, clichê e fantasiosa demais. Egoísmo à parte, como o blog é meu mesmo, eu resolvi falar do que Crepúsculo significa para mim, fã incondicional da obra.  

     Primeiramente, parem de comparar Crepúsculo com Harry Potter. É claro que as duas obras têm de fato muita coisa em comum; Falam de magia, de seres fantásticos e irreais, de aventura, de romance. Mas eu acredito que o número de diferenças seja maior do que o de semelhanças. Para começar, HP é composto de 7 livros (a maioria bem grandes, por sinal), enquanto Crepúsculo tem 4. Ou seja, é claro que HP é muito mais complexo, mais detalhado e acredito eu que mais planejado do que Crepúsculo. HP tem muito mais personagens e histórias envolvidas, e a história de Crepúsculo não vai muito além do amor de Bella e Edward. Enfim, a questão é que como Harry Potter ensinou muito sobre Literatura para os jovens, a cobrança por uma história tão bem elaborada quanto essa caiu em cima de Stephenie Meyer, que, garanto eu, não tinha a pretensão de se equiparar a J.K. Rowling. Essas comparações são feitas apenas por vontade de fãs fanáticos, tanto de HP quanto de Crepúsculo, de mostrar o quanto a sua obra preferida é a melhor.

     Outro ponto que eu acredito ser injusto na avaliação de Crepúsculo é a acusação que as pessoas fazem de Meyer estar influenciando negativamente os pré-adolescentes ao colocar a Bella dividida entre dois amores, ao falar de sexualidade, ao mostrar o Jacob sem camisa nos filmes etc. Acontece que os livros não tem censura. Se são crianças (ou pré-adolescentes, chamem como quiser) de 12, 13 anos que se encantaram pela obra, a culpa não é da autora. Cabe aos pais julgarem o que seus filhos devem ou não ler.  Ela não lançou um livro para crianças. E sinceramente, se é para falar de influência negativa na juventude vamos falar de Big Brother, de novelas, de revistas, de seriados… tudo influencia os jovens, é completamente injusto colocar tudo nas costas da Stephenie. E mais, acho que o fato da Bella estar dividida entre o Edward e o Jacob e chegar a ficar com os dois é muito, muito inocente perto do que acontece na vida real. Hoje, meninas de 13 anos já beijaram vários caras e ficam com muito mais do que dois na mesma noite. Fazem muito mais do que só beijar. E tudo isso já era assim bem antes de Crepúsculo.

     Além disso, há muita coisa boa a se aprender com a saga Crepúsculo. Claro que não estou falando de conhecimentos intelectuais e grandes ensinamentos sobre Literatura, mas de coisas para a vida pessoal de cada um mesmo. O que eu queria conseguir mostrar para todas as pessoas que “metem o pau” no Crepúsculo é o que eu aprendi com ele. Para mim, romântica à moda antiga, Crepúsculo é uma verdadeira lição sobre amor de verdade, e só aceito que diga o contrário quem realmente leu os livros. O modo como o Edward trata a Bella e faz de tudo para que ela acredite no seu amor é encantador e inspirador (odeio rimar, desculpe). E é justamente ISSO que eu acho que a juventude de hoje em dia está precisando! Num mundo onde as pessoas só ficam por ficar, que é raríssimo alguém querer assumir compromisso, que os jovens estão acostumados a beijar todo mundo que ver pela frente numa noite, uma obra literária que traz uma história de amor verdadeiro talvez sirva para inspirar e mostrar que SIM, o amor é importante e necessário. Há quem diga que as meninas podem ficar iludidas achando que encontrarão um cara como o Edward na próxima esquina, mas convenhamos que iludir as meninas é coisa que os filmes fazem desde sempre – que criança nunca sonhou com o príncipe da Cinderella ou da Pequena Sereia? E que adolescente não sonhou com o cara da Nova Cinderela ou de Um amor para recordar? Isso faz parte do cinema. É natural e bastante saudável. Acreditem ou não, e tirem sarro se quiserem, mas Crepúsculo me influenciou a começar a desejar sair da vida de baladas e arranjar um namorado sério. Todas as meninas que lerem pelo menos um dos livros tiveram vontade de ter um amor de verdade. Eu tenho certeza absoluta.

     Por fim, quero ressaltar que apesar de fã dos livros do Crepúsculo, eu não sou fã dos filmes. Como toda obra que sai das páginas e vai para as telas, os filmes deixam a desejar em termos de atuação, adaptação, efeitos especiais, enredo e etc. A questão do amor verdadeiro transmitido por Crepúsculo que eu tanto falo simplesmente não aparece nos filmes. A história fica mal contada e, para quem não leu os livros, creio que fique difícil compreender alguns detalhes. Eu peço, por favor, que não julguem Crepúsculo baseando-se nos filmes. A Bella dos livros não é a Bella dos filmes. O amor dela e do Edward não é aquele sem-graça que os filmes mostram. O Jacob não é (só) um corpo bonito. Os Volturi não são só uma participação especial da Dakota Fanning. Deem uma chance aos livros. A história não é vazia, não é clichê, os diálogos não são fracos e não é só pegação e luta de vampiros e lobos.   

“Essa história de amor com vampiros é impossível de largar antes do fim” – The Wall Street Journal

“A série de Meyer fervilha com a atração das paixões proibidas somada ao tempero inebriante do sobrenatural” – The New York Times

“Movida a suspense e romance, esta irresistível estreia de Meyer manterá os leitores virando as páginas furiosamente” – Publishers Weekly

Não é à toa, né?

PS: Post motivado e inspirado no www.is-adora-ble.blogspot.com 

5 Respostas so far »

  1. 1

    Kindle said,

    Mari, achei muito bem colocada a sua argumentação. Eu não li os livros e apenas recentemente vi um filme da série – o último. Eu concordo que é muito fácil responsabilizar a autora por um comportamento juvenil que a precede. “Essa juventude” está meio maluca mesmo. Mas isso é resultado de um longo processo, longo e complexo. As pessoas não sabem mais o que querem ou a sua função na sociedade e virou esse oba-oba. Enfim, é uma conversa pra mesa de bar.

    Notas secundárias:
    – Realmente não gostei do filme. As atuações são fraquíssimas.
    – Ri demais de umas mulheres 30-tonas e 40-tonas gritando pelo Jacob. (Pedofilia! Não que eu possa condenar muito… hehehe) – Ele podia usar uma camiseta as vezes, né?
    – Eu achei legal a devoção sem condicionantes do Edward pela Bella, apesar dela ser uma menina bem criança e bobinha (apesar de sair pegando todo mundo) no filme. Ele é a melhor parte do filme.
    – Achei legal também como os vampiros o tempo todo tentam mostrar que não é uma opção válida se tornar um deles.

    Não creio que lerei os livros, mas acredito que eles não podem ser TÃO ruins, afinal, o Evo – um menino – leu todos! Heheheheheh

  2. 2

    Isadora said,

    Mari, primeiro: gostei de você ter “respondido” ao meu post aqui no blog, primeiro porque você escreve muito bem, e depois porque eu gostaria de ver a opinião de alguém que gosta da série, afinal de contas, como disse lá no blog, não li os livros. Me importei tanto com o seu post que, pra você ter uma ideia, copiei seu post no Word e estou respondendo, tópico a tópico, porque não quero deixar passar nada: já que a discussão ficou tão boa, quero levar mesmo adiante. Então vamos lá.
    A primeira coisa é que DUVIDO que a série tinha a ideia de ser despretensiosa. A Meyer teve a mesma pretensão que todo escritor: fazer sucesso. E soube fazer isso muito bem: atendendo a uma demanda dos jovens que viriam a ser seus leitores. Esse é meu medo: a demanda é por uma realidade que eu acho, definitivamente, deturpada – não falo dos vampiros, que eu adoro, mas da sexualidade. Logo, também acho que o sucesso não foi “inexplicável”, foi muito bem explicado, pesquisado e, principalmente – e o mérito é todo da autora – muito bem aplicado.
    Depois que eu concordo com você que as comparações com Harry Potter não devem ser feitas quanto ao gênero, ao roteiro, às histórias, aos personagens, enfim, a nada que envolva o texto em si. A minha comparação foi em outro âmbito: o âmbito da literatura juvenil, e isso ninguém pode negar. Minha comparação vai para o lado do “qual é o primeiro livro que essas crianças vão ler?”
    Porque assim: eu trabalho numa editora de livros, que edita MUITOS livros infantis, os maiores autores. E as crianças não escolhem aquilo que lêem: as mães que escolhem os livros que vão ler para seus filhos. Mas, depois de uma determinada idade, eles escolhem. E aí entra a minha comparação: eu escolhi Harry Potter, porque era o que tinha na prateleira. E aprendi tudo aquilo que você já sabe. Minha preocupação é que as crianças de hoje vão escolher Crepúsculo, e vão aprender… bom, vão aprender sexo.
    Outra coisa: não acho Harry Potter uma grande obra da literatura mundial, não. Minha admiração pela série é afetiva: eu aprendi a ler e a escrever, mesmo, com ele. Logo, pra mim significa muito, como Crepúsculo significa pra você. Assim, o mérito é o mesmo.
    E ai nós vamos falar de educação. Aí a coisa pega, porque em quatro anos de faculdade (História), nem eu, nem meus colegas, muito menos meus professores chegaram num acordo. Mas daí vem a discussão “cabe aos pais decidirem”. E eu te digo que não é bem assim. Porque eu quero ver qual vai ser a reação numa família em que o pai impeça a filha de ler o livro que 99% de suas amiguinhas estão lendo. Quero ver qual vai ser a relação entre a menina e mãe que a proibiu de ter o pôster do Jacob – com ou sem camisa – na parede do quarto. Então, o buraco é mais embaixo: não é somente uma questão de livre arbítrio (dos pais), de educação. É uma questão cultural e, como já disse, uma demanda muito grande por produtos desse tipo.
    Com tudo isso o que eu quero dizer é que a “culpa”, por assim dizer, não é da autora. Longe disso: ela soube muito bem aproveitar a sua oportunidade, e seria muito ingênua se não o fizesse. Mas me assusta que essa demanda exista, me assusta, muito, que as crianças estejam nesse nível hoje em dia. Porém, não adianta criticar e não fazer nada: se hoje em dia se transa com 11 anos, então que ensinemos, com 11 anos, a usar camisinha. Porque não adianta só reclamar que está tudo pervertido hoje em dia e não fazer nada. E obviamente, a culpa disso não é de Crepúsculo, nem da Stepanhie Meyer, nunca. Mas eu ainda acho – e pode ser ingenuidade minha, sim – que os responsáveis pela produção cultural devem estar atentos às mensagens que produzem. Especialmente se tratando de literatura infanto-juvenil.
    Sobre o amor, é onde você me convenceu. Realmente, acho que o mundo precisa mesmo saber que o amor existe, que é possível, e que pode ser verdadeiro. Como você disse, sempre houve isso, desde sempre e de todas as maneiras possíveis. É verdade, você tem razão. Tomara que as meninas realmente percebam que as coisas são possíveis.
    Só pra concluir: como admiradora de cinema, o filme é péssimo. Os outros dois são bem ruinzinhos, mas esse último é péssimo. E creio que tenha sido uma decepção pros fãs dos livros, mesmo, já que encontrei milhares de buracos que deixam a história, como você mesma disse, super mal escrita e confusa – eu simplesmente não entendi várias partes. Isso sem falar na atuação sofrível, nos diálogos vergonhosos, na falta de direção, etc. Isso, falando como filme. E, como deixei claro lá no blog, julguei mesmo baseada somente nos filmes. Também, como disse, fiquei com vontade de ler os livros para ver se mudo de ideia ou se confirmo. Veremos, e te conto se mudar de opinião!
    Mari, se fui muito incisiva aqui na minha resposta, me desculpe! Mas juro que gostei da discussão, e sua resposta está muito bem escrita, e muito educada. Espero que não tenha te ofendido, como fã de Crepúsculo. É só minha opinião de alguém preocupada com o futuro – dos livros, e das crianças! Beijos

  3. 3

    Cintia said,

    Concordo plenamente com o que vc escreveu. Texto muito bem escrito também, diga-se de passagem.

  4. 4

    Danilo Vital said,

    Oi Má
    Não li os livros e vi os filmes com você, então não vou opinar muito
    aheuaheiuae
    Mas preciso falar uma coisa: O Edward brilha, voa, mora na floresta e dá lição de moral. Ele não é um vampiro. É UMA FADA!
    Bjos
    xD

  5. 5

    Vinícius de Melo said,

    HAHA! Como o Danilo disse, o Edward não é um vampiro… é uma fada!😛

    Brincadeiras à parte, gostei do destaque do amor incondicional do vampiro para com Bella que você deu em seu post. Infelizmente, esse lado vem sendo apagado/esquecido graças ao apelo sexual — Jacob sem camisa, mil vezes — encontrado no(s) filme(s).

    No entanto, com seu post, quem saiba eu dê alguma chance aos dos primeiros livros da Saga que comprei, antes de ver o primeiro filme, e agora estão empoeirando na estante… Só o tempo dirá.


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