Arquivo para Julho, 2010

Sobre vampiros e lobos

     Bella, Edward e Jacob. Personagens de um best-seller que começou sem grandes pretensões, mas que conquistou muita gente e atingiu um sucesso inexplicável. Acompanhada por milhares de jovens, a saga Crepúsculo cresceu, rendeu 4 livros e ganhou os cinemas. Mas como tudo que é adorado por muitos, a saga também virou alvo de críticas severas. Comparações com Harry Potter regem a maioria dessas critícas, que, entre outras coisas, acusam a autora, Stephenie Meyer, de influenciar negativamente os pré-adolescentes (a maioria do público leitor de Crepúsculo) e de ter criado uma história vazia, clichê e fantasiosa demais. Egoísmo à parte, como o blog é meu mesmo, eu resolvi falar do que Crepúsculo significa para mim, fã incondicional da obra.  

     Primeiramente, parem de comparar Crepúsculo com Harry Potter. É claro que as duas obras têm de fato muita coisa em comum; Falam de magia, de seres fantásticos e irreais, de aventura, de romance. Mas eu acredito que o número de diferenças seja maior do que o de semelhanças. Para começar, HP é composto de 7 livros (a maioria bem grandes, por sinal), enquanto Crepúsculo tem 4. Ou seja, é claro que HP é muito mais complexo, mais detalhado e acredito eu que mais planejado do que Crepúsculo. HP tem muito mais personagens e histórias envolvidas, e a história de Crepúsculo não vai muito além do amor de Bella e Edward. Enfim, a questão é que como Harry Potter ensinou muito sobre Literatura para os jovens, a cobrança por uma história tão bem elaborada quanto essa caiu em cima de Stephenie Meyer, que, garanto eu, não tinha a pretensão de se equiparar a J.K. Rowling. Essas comparações são feitas apenas por vontade de fãs fanáticos, tanto de HP quanto de Crepúsculo, de mostrar o quanto a sua obra preferida é a melhor.

     Outro ponto que eu acredito ser injusto na avaliação de Crepúsculo é a acusação que as pessoas fazem de Meyer estar influenciando negativamente os pré-adolescentes ao colocar a Bella dividida entre dois amores, ao falar de sexualidade, ao mostrar o Jacob sem camisa nos filmes etc. Acontece que os livros não tem censura. Se são crianças (ou pré-adolescentes, chamem como quiser) de 12, 13 anos que se encantaram pela obra, a culpa não é da autora. Cabe aos pais julgarem o que seus filhos devem ou não ler.  Ela não lançou um livro para crianças. E sinceramente, se é para falar de influência negativa na juventude vamos falar de Big Brother, de novelas, de revistas, de seriados… tudo influencia os jovens, é completamente injusto colocar tudo nas costas da Stephenie. E mais, acho que o fato da Bella estar dividida entre o Edward e o Jacob e chegar a ficar com os dois é muito, muito inocente perto do que acontece na vida real. Hoje, meninas de 13 anos já beijaram vários caras e ficam com muito mais do que dois na mesma noite. Fazem muito mais do que só beijar. E tudo isso já era assim bem antes de Crepúsculo.

     Além disso, há muita coisa boa a se aprender com a saga Crepúsculo. Claro que não estou falando de conhecimentos intelectuais e grandes ensinamentos sobre Literatura, mas de coisas para a vida pessoal de cada um mesmo. O que eu queria conseguir mostrar para todas as pessoas que “metem o pau” no Crepúsculo é o que eu aprendi com ele. Para mim, romântica à moda antiga, Crepúsculo é uma verdadeira lição sobre amor de verdade, e só aceito que diga o contrário quem realmente leu os livros. O modo como o Edward trata a Bella e faz de tudo para que ela acredite no seu amor é encantador e inspirador (odeio rimar, desculpe). E é justamente ISSO que eu acho que a juventude de hoje em dia está precisando! Num mundo onde as pessoas só ficam por ficar, que é raríssimo alguém querer assumir compromisso, que os jovens estão acostumados a beijar todo mundo que ver pela frente numa noite, uma obra literária que traz uma história de amor verdadeiro talvez sirva para inspirar e mostrar que SIM, o amor é importante e necessário. Há quem diga que as meninas podem ficar iludidas achando que encontrarão um cara como o Edward na próxima esquina, mas convenhamos que iludir as meninas é coisa que os filmes fazem desde sempre – que criança nunca sonhou com o príncipe da Cinderella ou da Pequena Sereia? E que adolescente não sonhou com o cara da Nova Cinderela ou de Um amor para recordar? Isso faz parte do cinema. É natural e bastante saudável. Acreditem ou não, e tirem sarro se quiserem, mas Crepúsculo me influenciou a começar a desejar sair da vida de baladas e arranjar um namorado sério. Todas as meninas que lerem pelo menos um dos livros tiveram vontade de ter um amor de verdade. Eu tenho certeza absoluta.

     Por fim, quero ressaltar que apesar de fã dos livros do Crepúsculo, eu não sou fã dos filmes. Como toda obra que sai das páginas e vai para as telas, os filmes deixam a desejar em termos de atuação, adaptação, efeitos especiais, enredo e etc. A questão do amor verdadeiro transmitido por Crepúsculo que eu tanto falo simplesmente não aparece nos filmes. A história fica mal contada e, para quem não leu os livros, creio que fique difícil compreender alguns detalhes. Eu peço, por favor, que não julguem Crepúsculo baseando-se nos filmes. A Bella dos livros não é a Bella dos filmes. O amor dela e do Edward não é aquele sem-graça que os filmes mostram. O Jacob não é (só) um corpo bonito. Os Volturi não são só uma participação especial da Dakota Fanning. Deem uma chance aos livros. A história não é vazia, não é clichê, os diálogos não são fracos e não é só pegação e luta de vampiros e lobos.   

“Essa história de amor com vampiros é impossível de largar antes do fim” - The Wall Street Journal

“A série de Meyer fervilha com a atração das paixões proibidas somada ao tempero inebriante do sobrenatural” – The New York Times

“Movida a suspense e romance, esta irresistível estreia de Meyer manterá os leitores virando as páginas furiosamente” - Publishers Weekly

Não é à toa, né?

PS: Post motivado e inspirado no www.is-adora-ble.blogspot.com 

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My happy ending

Ele; Alto, moreno, de olhos escuros, cabelo bagunçado. Ela; Loira, de olhos verdes, unhas sempre coloridíssimas, com algumas tatuagens e piercings espalhados por aí. Ele; Violão, Palmeiras, morangos, música, video-game, revistas. Ela; Ballet, dança de rua, Ratattouille, xadrez, listras, chá gelado e doces. Eles; amor, conversas, assuntos intermináveis, contas de telefone altíssimas, saudade de um dia para o outro, brincadeiras, piadas internas, expressões típicas só dos dois. Era o destino. Ou não. Tanto faz, não importa. Se davam bem. Se amavam. Era o bastante. Ou não. A vida inteira que tinham pela frente parecia pouco. Muito pouco. Poderiam se casar, quem sabe. Daria certo, muito certo. Teriam um apartamento bonito, impecavelmente organizado por causa da neurose dela. Com revistas, livros e palhetas espalhados, por causa dele. Uma cozinha grande, com uma geladeira 90% dela e 10% dele. A parte dela teria os ítens mais bizarros do mercado, provavelmente unidos numa receita inventada. A parte dele, teria frutas, cerveja e patê de atum. Teriam um quarto simples, com uma cama bem grande: metade com 5 cobertores, metade com nenhum. Passariam os dias rindo, felizes, se divertindo juntos. JUNTOS. Isso bastaria. Iriam cozinhar, pedir pizza, fazer fondue, assistir filmes, ouvir música, contar piadas, brincar de rima. Perderiam a hora frequentemente e chegariam atrasados ao trabalho. Aos finais de semana, poderiam sair. Cinema, bar, shopping, shows,  jantar com os amigos, aniversários, karaokês, baladas, restaurante japonês. Ela escolheria o programa, ele iria o caminho todo reclamando dela dirigindo. Eles brigariam toda vez que ela fosse estacionar o carro. Mas isso não teria problema, pois seria parte da relação deles. Fora do carro, jamais brigariam. Não haveria motivos para isso. Ciúmes, TPM, caras de bravo. Tudo isso seria contornável. Mais para frente, teriam filhos. Um menino skatista e uma menina bailarina. Ele ia querer levar o filho ao estádio e aos shows de rock, enquanto ela levaria a filha ao cabeleireiro e ao shopping. Teriam também um cachorrinho, para completar a típica família de comercial de margarina. Final feliz demais? Pois é. O happy ending existe. Viveriam felizes para sempre. E sempre.

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